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Astrologia - perguntas frequentes
O que é a Astrologia?

A Astrologia é o estudo da relação entre os fenómenos celestes e os eventos terrestres. Tem por base a simbologia dos corpos celestes, seu movimento e ciclos. Os símbolos celestes podem ser interpretados para compreender e prever os eventos terrestres.
A base de trabalho do astrólogo é o mapa astrológico, um diagrama que representa as posições planetárias do nascimento do indivíduo ou do momento em estudo. Para fazer a interpretação, o astrólogo relaciona os símbolos presentes no mapa com a pessoa ou evento.

No mapa de um indivíduo, os símbolos astrológicos traduzem aspectos da sua individualidade, indicando ainda as suas principais tendências e comportamentos nas diversas situações de vida.

É uma ciência ou não?

Sim e não. Depende do que se entende por “ciência”.
Se tomarmos a palavra pelo seu sentido etimológico – scientia, conhecimento, sabedoria, saber – a resposta será sim. É, de facto, uma “scientia”, um saber, um corpo de conhecimentos complexo e coerente, com regras e leis próprias.
Mas se pensarmos em ciência no sentido “institucional” que actualmente se dá ao termo, a resposta será não, pois a sua metodologia difere da usada nas ciências “clássicas”, como a Matemática ou a Química, por exemplo.
A natureza da Astrologia é única, pois liga dados e cálculos muito exactos (de carácter astronómico)  à vertente de interpretação simbólica. Estas características únicas tornam difícil qualificá-la enquanto corpo de conhecimento. Alguns afirmam que é uma ciência no sentido acima explicado), enquanto outros dizem ser uma Arte.
A Astrologia não é, nem tem de ser, uma ciência, da mesma forma que a Música ou a Mitologia não são ciências, nem têm de sê-lo. E contudo, todas são saberes, conhecimentos, sabedorias que aportam importantes contributos ao legado cultural da Humanidade.

O conhecimento astrológico surgiu numa época anterior à própria ciência e faz parte do vasto corpo de conhecimentos de onde surgiram muitos dos actuais ramos científicos (por exemplo: a Astronomia, a Trigonometria e a Cartografia). Este pensamento segue regras coerentes, dotadas de uma dinâmica próprias e que, ao mesmo tempo, são independentes do pensamento causal e linear.
Aliás, a “ciência”, no sentido institucional, parece ser (pelo menos para a opinião pública menos erudita), o único critério de validação das coisas. A Astrologia rege-se pelos seus princípios e tem a sua lógica e coerência próprias, pelo que não precisa de ser “aprovada” pela ciência oficial para ser considerada legítima e séria. Isto, contudo, não implica falta de coerência ou de clareza, nem deve dar azo a aproveitamentos oportunistas por parte de indivíduos sem preparação astrológica.

O que é a Astrologia Tradicional?

O termo Tradição Astrológica designa todo o manancial de conhecimento astrológico praticado desde a época helenística até ao final do século XVII. Este conhecimento é o herdeiro directo das civilizações babilónica, grega, árabe e europeia medieval.
A sua prática, que conheceu tempos de grande esplendor, enfraqueceu gradualmente por diversas razões, tendo quase desaparecido no final do século XVII. A Tradição começou a ser recuperada nos anos 80 do século XX, com a (re)publicação do livro Astrologia Cristã, do astrólogo inglês William Lilly (1602-1681), e a tradução de várias obras da época helenística e medieval. Estes livros trouxeram aos estudantes e praticantes contemporâneos a noção de que a prática astrológica antiga era muito mais complexa e rica que a actual. Esta descoberta motivou uma vaga de estudos e traduções de obras antigas que, aos poucos, revelaram a Astrologia em todo o seu esplendor: uma disciplina académica de grande riqueza e profundidade, capaz de oferecer interpretações de inigualável precisão, em qualquer área da experiência humana.

Qual a diferença entre a prática tradicional e a contemporânea?

A Astrologia contemporânea é uma reconstrução incompleta do pouco que restou da Tradição após o seu declínio no séc. XVII. Depois de uma longa fase em que se viu reduzida a um passatempo dos salões mundanos, a Astrologia ressurgiu no final do século XIX, na sequência dos movimentos de revivalismo espiritual. Porém, nessa altura a tradição astrológica estava muito diluída, tendo os seus princípios fundamentais sido esquecidos ou deturpados. Seguindo a mentalidade reformista desta época, alguns autores decidiram “modernizar” a Astrologia. Infelizmente, os seus conhecimentos astrológicos eram parciais e fragmentados, pelo que as suas reformas não lograram obter os melhores resultados. Estas reformas alteraram muitos dos princípios e técnicas fundamentais da Astrologia, e deixaram de parte a vertente preditiva (que constitui o núcleo fundamental desta Arte). Mais tarde, alguns praticantes tentaram preencher este vazio com conceitos avulsos de psicologia, psicanálise e auto-conhecimento.
Desta forma, a Astrologia contemporânea é feita de retalhos, carecendo de coesão de regras e de princípios fundamentais, já que não integra muitos dos conceitos e princípios basilares da prática tradicional.

Mas não será a Astrologia contemporânea uma evolução da tradicional?

Não. Há um corte significativo entre as duas práticas. A contemporânea parte de bases diferentes, reconstruídas a partir de parâmetros incompletos, enquanto a Tradicional reata o legado dos antigos praticantes. Embora partilhem bases idênticas (a interpretação dos movimentos dos astros e suas consequências na Terra), a filosofia e o raciocínio interpretativo são muito diferentes; além disso, a contemporânea integra muitos factores extra-astrológicos, alguns dos quais antagónicos à própria filosofia subjacente à Astrologia.

Quais as diferenças práticas entre as duas abordagens?

Há diferenças técnicas e filosóficas, cuja explanação se tornaria extremamente longa.
Em termos práticos, a Tradição tem um núcleo de regras e fundamentos muito claros e bem determinados. Os elementos de interpretação astrológica são coerentes e estruturados sobre bases sólidas. A sua aplicação não varia consoante a opinião pessoal de cada praticante; mesmo quando um autor clássico apresenta uma variante interpretativa retirada da sua prática pessoal, esta é sempre coerente com o núcleo de regras fundamentais da Astrologia. Além disso, a Tradição tem uma base preditiva, que tanto se aplica aos comportamentos e talentos pessoais, como à antevisão de épocas de vida ou mesmo a eventos.
Por seu turno, os sistemas interpretativos modernos não têm um núcleo de regras essenciais bem definido e fundamentado, pelo que dependem muito das opiniões e crenças pessoais dos praticantes. Este facto confere um carácter muito ambíguo e vago aos seus resultados. Muitas vezes as interpretações procuram emular modelos psicanalíticos (que nada têm de astrológico), o que resulta em interpretações confusas, perdendo-se a faceta preditiva, essencial à Astrologia. 
E os planetas modernos, Urano, Neptuno e Plutão?

Como não são visíveis a olho nu, os planetas trans-saturninos não fazem parte do sistema astrológico tradicional (que se baseia naquilo que é visível a partir da Terra). A Tradição, com toda a sua complexidade e eficiência, não contempla o uso destes corpos celestes e funciona perfeitamente sem eles.
Até ao final do séc. XIX os astrólogos hesitavam em incluir Urano e Neptuno nas suas interpretações, pois os seus efeitos astrológicos não eram conhecidos. Só a partir do séc. XX é que a sua utilização astrológica se torna prática corrente, gerando muitas teorias quanto aos seus efeitos. Um breve estudo da “evolução” dos atributos astrológicos conferidos a estes corpos celestes revela muitas lacunas e muita especulação teórica quanto às suas propriedades. Muitas delas foram aceites como certas sem que tivesse havido oportunidade de testar os seus efeitos na prática. Além disso, a metodologia usada para descobrir os atributos destes planetas é, também ela, muito questionável.
Em resumo: a função actualmente atribuída a Urano, Neptuno e Plutão (assim como aos asteróides e outros corpos celestes menores) tem fundamentos práticos muito dúbios. A sua aplicação na interpretação astrológica deve ser bem ponderada, pautando-se sempre por uma atitude experimental.
Quais as vantagens de aprender a Tradição?

Quando devidamente compreendida e aplicada, a Tradição oferece ao estudante a essência da Astrologia. Consolida e organiza os conhecimentos, permitindo a sua aplicação de forma eficiente e coerente, sem ambiguidades nem contradições.
Diz-se que a Astrologia Tradicional tem um cariz fatalista e limitativo, é verdade?

Não, isto é um conceito erróneo, embora muito comum. Tem origem em opiniões ignorantes, de quem nunca estudou nem praticou devidamente o sistema tradicional.
A Tradição tem, acima de tudo, uma abordagem pragmática, muito prática e directa. Contempla aquilo que o indivíduo é, e esclarece sobre a melhor forma de desenvolver as suas capacidades, de acordo com a sua constituição natural. Não perde tempo fazendo promessas de “evolução” que levam o indivíduo por caminhos contrários à sua natureza e que o julgam e que, muitas vezes, lhe negam a própria identidade.
E a componente psicológica que tanto caracteriza a Astrologia moderna, tem lugar na Tradicional?

A Tradição Astrológica tem métodos próprios de estudo da personalidade, com técnicas muito sofisticadas e precisas, capazes de descrever o comportamento, a mentalidade e as motivações de um indivíduo. Em suma: estes métodos retratam através da Astrologia a dinâmica psicológica individual. Este estudo só não tem a designação de “psicológico”, porque este termo só surgiu no final séc. XIX.
Então e não há lugar para o desenvolvimento pessoal e a espiritualidade?

Claro que sim. Sendo a espiritualidade uma componente fundamental da vida de qualquer ser humano, esta está claramente contemplada na Tradição. Esta aborda o tema de forma clara e pragmática, dando indicações consistentes e de aplicação directa. Assim, a interpretação tradicional descreve a postura de um dado indivíduo perante temas como a religião ou as práticas ditas espirituais. Ao contrário de muita da suposta “astrologia espiritual”, não se perde em divagações pseudo-esotéricas nem em moralismos simplórios.

Mas não será a Astrologia contemporânea uma evolução da tradicional?

Não. Há um corte significativo entre as duas práticas. A contemporânea parte de bases diferentes, reconstruídas a partir de parâmetros incompletos, enquanto a Tradicional reata o legado dos antigos praticantes. Embora partilhem bases idênticas (a interpretação dos movimentos dos astros e suas consequências na Terra), a filosofia e o raciocínio interpretativo são muito diferentes; além disso, a contemporânea integra muitos factores extra-astrológicos, alguns dos quais antagónicos à própria filosofia subjacente à Astrologia.

 
 
 
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